• Inês Monteiro Vasques

Como é que as "boas" hormonas nos ajudam?

As fontes de ansiedade, stress, depressão, fazem-nos mal, tanto fisicamente como psicologicamente. Por meio de mecanismos muito complexos, produzimos diferentes hormonas capazes de nos fazer mal ou bem. A serotonina, dopamina, oxitocina e endorfinas são as hormonas famosas da felicidade que promovem sentimentos positivos como prazer, felicidade e até mesmo amor. Estas hormonas intervêm no nosso organismo e reproduzem-se no sistema nervoso, sistema endócrino e sistema imunitário. Ou seja, a nossa saúde, tanto mental como física, está fortemente ligada a elas. Temos, por isso, todo o interesse em favorecer a produção de hormonas boas e reduzir as más.


Todos estes processos químicos demonstram bem a interação fisiológica/psicológica. As moléculas do mal-estar ou do bem-estar circulam constantemente desde a nossa cabeça até aos nossos pés. A harmonia do organismo passa pelo bom relacionamento entre o cérebro cognitivo, o cérebro emocional e elementos fisiológicos.


Dessa forma, é importante compreender estas substâncias químicas felizes que estão no cérebro e no corpo, bem como o seu impacto na nossa saúde mental, porque ao conhecê-las poderás tomar medidas ativas para melhorar os teus níveis naturalmente. Em outras palavras, hormonas felizes significa pessoa feliz!


O QUE SÃO HORMONAS DA FELICIDADE?


As hormonas são substâncias químicas produzidas por várias glândulas do corpo humano, cuja função principal é a comunicação entre duas glândulas ou entre uma glândula e um órgão.


No nosso corpo, as hormonas sobem e descem ao longo do dia. Por exemplo, uma onda de cortisol pela manhã acorda, enquanto outra hormona, como a melatonina, ajuda a preparar para dormir à noite. E há as hormonas que nos alertam quando estamos com fome, sede, feliz ou triste. Existindo outras que ajudam na regulação do humor, prazer, união e até no alívio da dor.


Existe um sistema específico no corpo que controla a produção e libertação destas hormonas na corrente sanguínea, chamado sistema endócrino. É uma rede de glândulas que percorre todo o corpo, em que cada glândula produz pelo menos uma hormona, que é controlada pela glândula pituitária no cérebro. E cada hormona feliz viaja pela corrente sanguínea em direção aos diferentes órgãos e tecidos, enquanto os neurotransmissores felizes ocorrem apenas no cérebro e no sistema nervoso central, onde comunicam diretamente através dos neurónios.


Mas não é tudo! Estes elementos químicos são componentes críticos para a nossa saúde, como o crescimento e desenvolvimento, metabolismo e reprodução. Aqui estão os principais produtos químicos da felicidade em seu corpo:


OCITOCINA Os efeitos da hormona do amor


Ocitocina, também chamada de oxitocina, é a hormona que promove a união e a confiança e é particularmente ativada durante o parto, onde estimula as contrações. Uma das suas

funções menos conhecidas, mas igualmente importante, é a do neurotransmissor que ajuda a regular as respostas ao stress e a acalmar o sistema nervoso.


Junto com a dopamina, a serotonina e a endorfina, a ocitocina faz parte do grupo chamado de “neurotransmissores da felicidade”, que possuem a função de aumentar as sensações de bem-estar e diminuir o stress, ansiedade intensa, fobia social e melhorar quadros depressivos.


Nos últimos anos, a comunidade científica realizou vários estudos onde concluiu que a oxitocina desempenha um papel muito mais amplo do que inicialmente atribuído, regulando o sistema imunológico, a sua capacidade de suprimir distúrbios mentais, cura e até mesmo a perceção da dor. A sua atuação diminui a produção da hormona cortisol (hormona do stress), reduzindo os sintomas relacionados com o stress e a perceção da intensidade da dor.


Com o cérebro livre de condições de stress e ansiedade, o sono também é naturalmente beneficiado. A ocitocina aumenta a sensação de tranquilidade, proporcionando o descanso e um eficiente sono reparador, fundamental para uma boa qualidade de vida. Desencadeada pela proximidade, é também a hormona do aconchego, das relações, do altruísmo e da honestidade.


Para ativares esta super hormona basta envolveres-te em relacionamentos afetuosos: romance, amizade, toque suave e amigável e/ou animal de estimação.



MELATONINA Mais do que uma hormona do sono


A melatonina, também conhecida como a hormona do sono, é produzida pela glândula pineal, que é uma pequena glândula localizada na região central do cérebro, no meio dos dois hemisférios cerebrais. Esta hormona pode influenciar o humor, a temperatura corporal, a reprodução e o sistema imunitário, tendo também propriedades antioxidantes.

À noite, quando está escuro, a produção de melatonina aumenta, induzindo o cérebro a sentir sono. Durante o dia, quando está claro, a secreção de melatonina reduz-se, fazendo com que fiquemos mais despertos. É produzida no cérebro e a sua secreção depende da luz:

  1. A escuridão faz com que o corpo produza mais melatonina, sinalizando-o para se preparar para o sono, sendo que, normalmente os níveis de melatonina começam a aumentar ao final do dia, depois do pôr do sol, mantendo-se elevados durante a maior parte da noite enquanto está no escuro;

  2. A luz diminui a produção de melatonina e sinaliza o corpo para se preparar para ficar acordado. Assim, no início da manhã, quando o sol nasce, os níveis de melatonina caem, fazendo com que acorde, de forma natural;

Mas atenção! A sua secreção não depende apenas da luz solar, mas também da iluminação artificial que pode ser brilhante o suficiente para impedir a sua libertação. Por isso evite ver televisão ou estar no computador, particularmente nas horas antes de se deitar e se precisar de estar acordado à noite utilize uma luz de fraca intensidade e de cor quente, alaranjada ou avermelhada. Lembre-se sempre que, uma noite bem dormida é essencial para o organismo e, muitas vezes, a adoção de alguns hábitos pode ser suficiente para conseguir um sono adequado.


Adicionalmente, a utilização dos cobertores pesados facilita a produção da melatonina pode ajudar a reduzir o tempo necessário para adormecer, o que pode ser útil em algumas situações, como na dificuldade em adormecer, no alívio de alguns sintomas resultantes do jet lag e nos distúrbios do ciclo de sono-vigília, nomeadamente, no síndrome do atraso das fases do sono (SAFS) – um distúrbio no qual o ciclo de sono-vigília é atrasado em cerca de 3 a 6 horas.


DOPAMINA

Uma verdadeira produtora de motivação.


A dopamina, também conhecida como a hormona da motivação e associada a efeitos antidepressivos, é um neurotransmissor responsável pelas sensações de prazer e relaxamento. Ou seja, é uma molécula que faz parte do sistema de recompensa do cérebro e responsável por lhe dar sensações agradáveis ​​e a vontade de querer mais. Dessa forma, a dopamina liberta sensações de prazer que podem resultar na repetição de determinados comportamentos como, necessidades vitais do organismo: sentir fome e sede ou comportamentos sociais.


Sendo uma hormona especifica que promove a sensação de bem-estar, é responsável pela diminuição do ritmo respiratório e cardíaco, redução da tensão, estimulação da digestão e melhora os movimentos intestinais. Também está diretamente relacionada a distúrbios neurológicos e psiquiátricos como a doença de Parkinson, Esquizofrenia ou TDAH.


Aproximadamente 50% de toda a sua dopamina é produzida no intestino. Por isso, é importante cuidar do nosso microbioma intestinal porque contribui ativamente para o bem-estar mental e longevidade. Isto porque existe um segundo "cérebro" no nosso intestino - o sistema nervoso entérico – que produz o “cocktail” perfeito para nos manter saudáveis e fazer-nos felizes.


Embora a dopamina seja produzida naturalmente pelo nosso corpo, podemos aumentar os seus níveis através do consumo de alimentos ricos em tirosina como, ovos, peixe e carnes, frutos secos, como as nozes e castanhas, abacate, ervilhas ou feijão.


SEROTONINA

Um intestino feliz, uma mente feliz!

A serotonina é um neurotransmissor que atua no nosso cérebro e estabelece a comunicação entre as células nervosas, e em pequena quantidade nas plaquetas da circulação sanguínea. Curiosamente, 90% da serotonina do nosso corpo é produzida no intestino: as bactérias intestinais participam na produção de serotonina. Por mais estranho que pareça, o milhão de milhões de células microbianas no cólon têm a capacidade de estimular as células que produzem serotonina.


Esta hormona desempenha vários papeis no organismo tendo a capacidade de regular o nosso humor, sono, apetite, ritmo cardíaco, temperatura corporal, sensibilidade e funções cognitivas. Por isso, quando os níveis estão em baixa concentração pode manipular as nossas emoções como, causar mau humor, dificuldade em dormir, ansiedade, depressão, até às habilidades motoras. Vários estudos confirmam que pessoas com depressão têm um desequilíbrio nos neurotransmissores do cérebro, ou seja, existe uma diminuição na produção das substâncias como a serotonina e a noradrenalina (ou norepinefrina, um neurotransmissor do sistema nervoso simpático).


A serotonina, associada normalmente aos estados de felicidade e bem-estar, também tem um papel na sensibilidade à dor. Quando há libertação de serotonina existe um decréscimo significativo na sensibilidade à dor. Através de vários estudos, acredita-se que esta hormona é uma das chaves no tratamento na dor crónicas. Por outro lado o excesso de serotonina também pode ter efeitos negativos: ansiedade, perda de coordenação motora ou dores de cabeça.


ENDORFINA

Se praticas desporto, esta é para ti!


Fazem-te feliz, mas não da forma que tu pensas. As endorfinas são hormonas e moléculas de neuro-sinalização que funcionam como analgésicos. Estas inibem a transmissão dos sinais de dor no sistema nervoso central, ligando-se aos recetores opioides (a morfina natural do corpo).


Endorfinas e dopamina são frequentemente confundidas, porque cada uma é uma substância química que promove a felicidade no sentido amplo do termo. No entanto, estão relacionadas porque, quando as endorfinas se conectam com os recetores do sistema nervoso central, a dopamina (hormona do prazer) é libertada.


As endorfinas felizes bloqueiam os sinais de dor e induzem-nos em euforia. Ou seja, a potente combinação de endorfinas e dopamina explica por que as pessoas ficam “viciadas” em correr. A libertação desta hormona gera uma sensação de bem estar, provocando um estado de alegria, mesmo após o treino, para quem pratica regularmente exercício física. Alguns estudos indicam que os efeitos da endorfina são sentidos até uma ou duas horas após a sua libertação no corpo.


Assim, para quem procura a sensação de bem estar, conforto, diminuição de dores articulares e musculares, dormir melhor, bom humor e alegria, nada melhor do que praticar exercício físico.




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