• Inês Monteiro Vasques

Não há melhor remédio do que dormir (naturalmente) bem

Atualizado: Mar 17

Um artigo de opinião de Margarida Mendes, neuropsicóloga na Clínica de Santo António do Grupo Lusíadas Saúde


Dúvidas não existem de que os distúrbios do sono são uma realidade que afeta milhões de pessoas – em Portugal, desde logo, mais de metade da população dorme mal. Apesar dos números, é preocupante a frequência com que este problema é normalizado. Como se fosse “socialmente aceite” que, a partir de uma certa idade, quando fatores como o stress laboral, o desgaste emocional, a azáfama da gestão familiar ou o cansaço físico começam a ser mais recorrentes no nosso dia-a-dia, passe a ser natural que o sono fique mais leve e irregular. Não devia ser assim.


O facto de não dormirmos prejudica gravemente os processos cognitivos, nomeadamente, a atenção, a concentração, o raciocínio e a capacidade de resolução de problemas. Os maus hábitos de sono estão também muitas vezes associados a sinto mas de depressão, ao abuso de álcool e outras drogas, assim como à diminuição do desempenho e da produtividade. Além disso, há ainda evidências científicas de que as pessoas que dormem muito pouco (menos de 5 horas por noite) têm maior probabilidade de desenvolver problemas do foro psicológico.


De uma maneira geral, os portugueses não dormem bem, mas importa procurar soluções naturais para melhorar a qualidade do sono. Portugal é o quinto país da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) que mais consome comprimidos para dormir e só nos primeiros três meses do corrente ano já foram vendidas mais de cinco milhões de embalagens de ansiolíticos e antidepressivos. Nisto, é preocupante a facilidade com que hoje em dia se prescrevem estes comprimidos para dormir, especificamente ansiolíticos (benzodiazepinas, tal como o alprazolam, o lorazepam e o diazepam), havendo também uma certa tendência para a automedicação, sem noção dos riscos associados.


Ao contrário do que se possa pensar, estes fármacos oferecem apenas uma solução a curto prazo e não resolvem o problema das insónias na sua origem. Além disso, quando tomados por longos períodos de tempo, podem causar não só dependência, como tolerância, o que significa que passa a ser necessário “aumentar a dose” para se conseguir o mesmo efeito calmante. A par de gerarem habituação, há o risco de provocarem outros efeitos secundários, como sonolência, défice cognitivo, confusão e descoordenação motora, diminuição da atenção, do tempo de reação e da velocidade do desempenho. Como acontece com outras substâncias viciantes, há ainda sintomas (tremores, agitação psicomotora, suores, palpitações, náuseas, vómitos, alucinações e convulsões) que podem surgir quando a medicação é subitamente descontinuada, sem aconselhamento médico.


De outra parte, vivemos atualmente um contexto que é desafiante. A pandemia trouxe-nos ainda mais incerteza, desemprego, problemas económicos, dificuldades na gestão familiar e restringiu-nos as interações sociais, essenciais para o nosso bem-estar emocional. Todos estes fatores podem acentuar os problemas que estão associados à origem dos distúrbios do sono. Precisamente porque o cenário é de risco, importa relembrar que os comprimidos para dormir não devem ser a “solução fácil” para tratar as noites mal dormidas.


Ciente de toda esta problemática, a marca Blanky – que comercializa cobertores pesados, uma solução natural para dormir melhor – conduziu recentemente um questionário sobre os hábitos de sono dos portugueses e concluiu: mais de 25% dos inquiridos afirmou já ter experimentado ansiolíticos para conseguir dormir à noite, mas apenas 3% procurou um especialista médico para tratar este problema.


O mesmo estudo avançou que 71% dos inquiridos só “algumas vezes, raramente ou mesmo nunca consegue dormir o número de horas recomendadas por dia, sem interrupções”. Isto indica-nos que a maioria das pessoas não descansam o suficiente (o que só por si já é preocupante), mas ainda é mais grave quando 75% dos inquiridos classifica o seu dia-a-dia de trabalho como “ligeiramente a muito stressante” e “com poucas ou nenhumas pausas pelo meio”. Ora, se a rotina nos consome as forças, o que acontece à nossa saúde se nem à noite conseguimos repô-las?


O primeiro passo para dormir melhor é ter uma boa higiene do sono, ou seja, incluir na rotina uma série de comportamentos que promovem um sono profundo e reparador. É importante manter um horário de sono regular, praticar exercício físico, evitar estimulantes, tais como a cafeína e a nicotina, relaxar antes de dormir (ouvir música calma, fazer exercícios de alongamento e ler um livro são algumas opções) e preparar um ambiente acolhedor e confortável no quarto. Quando todos estes hábitos não são suficientes para melhorar a qualidade do sono e em casos de distúrbios mais graves, o melhor é mesmo consultar um especialista.


Fonte: ACTIVA





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